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Seu filho precisa aprender a lidar com a frustração

05/03/2026

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Nenhum pai gosta de ver um filho frustrado. Quando uma criança chora porque perdeu um jogo, não conseguiu fazer uma atividade, não ganhou aquilo que queria ou precisou esperar por algo, o impulso de muitos adultos é tentar resolver rapidamente a situação. Consolamos, ajudamos, negociamos, substituímos, facilitamos. Em algumas situações, isso é exatamente o que uma criança precisa. Em outras, porém, ao tentarmos eliminar imediatamente todo desconforto, podemos retirar dela uma oportunidade importante de desenvolvimento.

Aprender a lidar com a frustração faz parte de crescer. A vida não atenderá a todos os nossos desejos, não respeitará sempre o nosso tempo e nem sempre produzirá o resultado que esperávamos. Por isso, uma das tarefas da educação é ajudar crianças e adolescentes a desenvolver recursos para continuar caminhando mesmo quando alguma coisa não acontece como gostariam.

Frustração faz parte da vida

Uma criança monta uma torre e ela cai. Tenta aprender algo novo e não consegue na primeira vez. Quer brincar, mas precisa terminar uma responsabilidade. Perde uma partida. Não é escolhida para alguma atividade. Precisa dividir. Precisa esperar. Escuta um “não”.

São acontecimentos aparentemente pequenos, mas fazem parte de experiências importantes da infância. É por meio de situações como essas que a criança começa, gradualmente, a perceber que nem tudo está sob seu controle.

O problema não é sentir frustração. A questão é o que a criança aprende a fazer quando se sente frustrada.

Ela abandona tudo diante da primeira dificuldade? Acredita que não consegue? Precisa que alguém resolva imediatamente o problema? Reage de maneira desproporcional quando é contrariada? Ou começa, aos poucos, a aprender a esperar, tentar novamente, pedir ajuda, buscar outra estratégia e aceitar aquilo que não pode mudar?

Essas respostas não aparecem prontas. Elas são construídas ao longo do desenvolvimento.

Proteger não significa eliminar toda dificuldade

Cuidar dos filhos envolve protegê-los de situações que realmente possam causar danos. Mas existe uma diferença importante entre proteger uma criança e tentar impedir que ela experimente qualquer desconforto.

Nem toda dificuldade precisa ser removida.

Quando os adultos antecipam constantemente os problemas, resolvem todas as situações, fazem pela criança aquilo que ela já poderia tentar fazer ou modificam uma decisão apenas para evitar sua insatisfação, existe um risco: a criança pode ter menos oportunidades de desenvolver recursos próprios para enfrentar dificuldades.

Isso não significa abandonar a criança diante dos problemas. Significa mudar a forma de ajudá-la.

Em vez de perguntar apenas “Como posso resolver isso para meu filho?”, talvez seja mais educativo perguntar também: “Como posso ajudá-lo a aprender a lidar com isso?”

A diferença parece pequena, mas muda profundamente o papel do adulto.

Acolher a frustração não significa eliminar a frustração

Imagine uma criança que perdeu uma partida e ficou muito chateada. O adulto poderia rapidamente tentar diminuir a importância do ocorrido: “Não foi nada”, “É só um jogo” ou “Depois você ganha”.

Mas, para aquela criança, naquele momento, aquilo pode ser importante.

Acolher significa reconhecer o que ela está sentindo. Podemos dizer: “Eu sei que você queria muito ganhar” ou “Entendo que você esteja chateado”.

O passo seguinte, porém, não precisa ser eliminar o desconforto.

Podemos ajudá-la a compreender o que aconteceu, pensar sobre o que poderia fazer diferente e, principalmente, perceber que uma frustração pode ser atravessada.

Existe uma mensagem poderosa quando o adulto transmite, por meio de suas atitudes: “Eu vejo que isso é difícil para você, estou aqui, e acredito que você consegue lidar com isso.”

Acolhimento não é fazer desaparecer toda emoção desagradável. É oferecer segurança para que a criança aprenda progressivamente a lidar com ela.

Nem sempre conseguir de primeira é um problema

Existe outra aprendizagem importante relacionada à frustração: descobrir que não saber fazer algo ainda não significa ser incapaz de fazê-lo.

Aprender exige tentativa, erro, correção e persistência. Isso vale para aprender a ler, resolver um problema de matemática, tocar um instrumento, praticar um esporte, organizar os próprios materiais ou desenvolver qualquer nova habilidade.

Quando a criança interpreta dificuldade como incapacidade, tende a desistir mais rapidamente. Quando compreende que dificuldades fazem parte da aprendizagem, abre espaço para tentar novamente, mudar de estratégia e evoluir.

Por isso, diante de frases como “Eu não consigo”, talvez a melhor resposta nem sempre seja fazer pela criança.

Podemos perguntar: “Qual parte está mais difícil?”, “O que você já tentou?”, “Existe outra maneira de fazer?” ou “Em que parte você precisa de ajuda?”

A mensagem deixa de ser “Eu resolvo para você” e passa a ser “Eu posso ajudá-lo a encontrar um caminho.”

O exemplo dos adultos também educa

Crianças não aprendem apenas com aquilo que dizemos. Observam como reagimos quando as coisas não acontecem como planejamos.

Como os adultos da casa reagem ao trânsito? A um erro? A uma derrota? A um problema no trabalho? A uma fila? A uma internet lenta? A uma mudança inesperada de planos?

É incoerente exigir de uma criança serenidade diante da frustração quando ela convive diariamente com adultos que explodem diante de pequenas contrariedades.

Isso não significa que pais precisem demonstrar equilíbrio absoluto o tempo inteiro. Adultos também erram, se irritam e se frustram. Mas até isso pode se tornar educativo quando conseguimos reconhecer nossas reações, reorganizar-nos e seguir em frente.

Ensinar a lidar com a frustração começa também pela maneira como nós mesmos lidamos com ela.

Como ajudar seu filho a lidar melhor com a frustração?

Não existe uma fórmula única, mas algumas atitudes podem ajudar no cotidiano.

Não resolva imediatamente tudo por ele. Antes de intervir, observe se a criança realmente precisa de ajuda ou apenas de mais algum tempo para tentar.

Reconheça o sentimento sem necessariamente mudar a situação. É possível acolher tristeza, raiva ou decepção e, ao mesmo tempo, manter um limite ou uma consequência.

Valorize o processo, não apenas o resultado. Pergunte sobre estratégias, esforço, descobertas e evolução. A criança precisa perceber que aprender é maior do que acertar imediatamente.

Permita tentativas. Se a atividade for segura e adequada à idade, algum grau de dificuldade pode ser uma oportunidade de aprendizagem.

Ajude a pensar em alternativas. Em vez de entregar imediatamente a solução, faça perguntas que estimulem a criança a encontrar caminhos.

Mantenha limites coerentes. Se toda reação intensa fizer o adulto retirar uma regra, a criança terá mais dificuldade para compreender que algumas frustrações precisam ser enfrentadas.

Seja exemplo. A maneira como os adultos enfrentam contrariedades ensina tanto quanto qualquer conversa sobre o assunto.

Frustração também aparece na aprendizagem

Na escola, crianças e adolescentes encontram diariamente situações que exigem persistência. Nem todo conteúdo será fácil. Nem toda resposta estará correta. Nem toda atividade será concluída rapidamente. Haverá avaliações, correções, desafios, trabalhos coletivos, divergências, responsabilidades e momentos em que será necessário tentar novamente.

Isso faz parte do processo educativo.

Uma escola que acredita no desenvolvimento do estudante não deve apenas celebrar aquilo que ele já consegue fazer. Também precisa ajudá-lo a enfrentar aquilo que ainda não consegue.

O erro, quando compreendido e acompanhado, pode fornecer informações importantes sobre a aprendizagem. A dificuldade pode indicar onde é necessário intervir. E o desafio, quando adequado, pode ajudar o estudante a descobrir capacidades que ainda não reconhecia em si mesmo.

Por isso, família e escola precisam evitar duas mensagens igualmente problemáticas: “Você precisa acertar tudo” e “Se estiver difícil, alguém fará por você”.

Existe uma terceira possibilidade, muito mais educativa: “Talvez você ainda não consiga. Vamos descobrir o que precisa aprender para conseguir.”

Preparar para a vida também é ensinar a continuar

Talvez nosso papel como adultos não seja garantir que nossos filhos nunca encontrem dificuldades. Isso seria impossível.

Eles serão contrariados. Cometerão erros. Perderão algumas vezes. Receberão respostas negativas. Encontrarão pessoas que pensam diferente. Terão de esperar. Haverá objetivos que exigirão esforço e situações que simplesmente não poderão controlar.

Não podemos retirar tudo isso do caminho.

Mas podemos oferecer algo mais valioso: presença, segurança, orientação e oportunidades para que desenvolvam recursos internos para enfrentar essas situações.

Uma criança não precisa sofrer para aprender. Mas também não precisa ser poupada de toda dificuldade para se sentir amada.

Cuidar não é impedir que nossos filhos encontrem frustrações. É ajudá-los a descobrir que são capazes de atravessá-las, aprender com elas e continuar.

Colégio Alvorecer | Escola que Cuida.

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